Arcozelo da Serra

Arcozelo da Serra é uma freguesia portuguesa do concelho de Gouveia, com 30,79 km² de área e 858 habitantes (2001). Densidade: 27,9 hab/km².

A sua tradição é vasta, sendo a agricultura uma das principais actividades. A pastorícia, actividade que tão afamado nome deu ao queijo da Serra, encontra-se um pouco em decadência, existindo ainda vontade por parte de certos arcozelenses da continuação desta actividade. Com muitos vestígios arqueológicos espalhados, são de salientar o “Penedo dos Moiros” e a zona do “arrazado”, esta com várias sepulturas antropomórficas.

Outro destaque vai para a realização de festividades religiosas, onde o orago é o de Nossa Senhora da Assunção, e festas mais pagãs como o São João e o São Pedro. Existe uma rivalidade latente entre estas duas festividades.

1 – ORIGEM DO NOME

“É corrente entre os habitantes de Arcozelo a ideia de que a povoação tem origem recente e tanto isso é verdade – dizem eles – que ainda não há muitos anos era conhecida pelas povoações vizinhas pelo nome de “Terrinha”.

Contam que a povoação principiou por uma quinta – Quinta do Arco – existente nas proximidades da actual capela de Santo António e do Largo do Oitão. Uma lenda pretende a partir do nome da quinta explicar a formação do nome actual. Diz ela que todos os peregrinos que por ali passavam podiam descansar, achando agasalho e sendo tratados com muito “zelo” pelos donos da quinta. Começaram, por isso, a chamar-lhe “Quinta do Arco do Zelo” ou mais abreviadamente “Arco do Zelo” e finalmente Arcozelo. Esta tradição é toda via inverosimel pois que enquanto zelo se escreve e escreveu sempre com um só “L”, Arcozelo na ortografia antiga era escrito com dois “LL”, mesmo pelos naturais.

No entanto este nome deve ter alguma relação com arco porque, segundo o Sr.Dr.Leite de Vasconcelos, a palavra Arcozelo provém de Arcucelo, diminutivo de arco. Nem mesmo a povoação é tão recente como dizem os naturais porque, se não é de mais remota fundação, é pelo menos dos primeiros tempos da Monarquia Portuguesa e talvez fosse fundada pelos sobreviventes da última povoação do Arrasado que lhe não fica distante”. (1)


1 – João Chaves, Monografia de Arcozelo da Serra. Trabalho escolar solicitado pelo professor Sr. Dr. Saavedra Machado do Liceu Dr. Júlio Henriques de Coimbra em 1932.


2 – PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO

Existem em Arcozelo da Serra alguns achados arqueológicos que nos podem dar uma ideia da origem da povoação.


2.1 – “Cavalo Pintado”

A presença do homem na Beira Interior remonta a vários milénios atrás, como comprovam vários vestígios arquitectónicos e arqueológicos que se encontram disseminados por toda a região, incluindo o Arcozelo.

No limite do território, actualmente denominado de Arcozelo da Serra, encontra-se o “Penedo do Cavalo Pintado”, no cimo do qual se pode observar a escultura conhecida pelo nome do “Cavalo Pintado”. Esta figura representa um quadrúpede, possivelmente um cervídeo, cujas dimensões máximas são de 1.25 metros de comprimento e 0.81 metros de largura.

Inscultura do "Penedo do Cavalo Pintado"

Inscultura do Penedo do Cavalo Pintado

2.2 – Penedos Mouros

Situados a montante de Arcozelo da Serra, os “Penedos dos Mouros” constituem um local de interesse arqueológico. Muito foi especulado pela população, que pretendia dar uma explicação lógica a aquele aglomerado de penedos, criando assim um mito de que estes teriam sido povoados pelos mouros.

Uma equipa de arqueologia, após feito um estudo identificou os “Penedos Mouros” como sendo um santuário datado, provavelmente, da idade do ferro, época anterior ao domínio Romano que se iniciou há cerca de 2200 anos no território Peninsular. Conclui-se então que se trata de um santuário dedicado a uma ou mais divindades pré-romanas, não identificadas.

Penedos Mouros

Penedos Mouros

2.3 – Arrasado ou Risado

De um período idêntico ao do “Penedo dos Mouros”, existem também vestígios numa zona perto do “Penedo do Cavalo Pintado”, actualmente designado como Risado, mas também conhecida como “Arrasado” de onde se pensa ter saído a actual designação. Neste local existem algumas sepulturas idênticas à do “Penedo dos Mouros”, mas menos perfeitas (a que não deve ser alheio a diferente composição do granito) e com a particularidade de terem uma laje a fazer de tampa. Juntamente com estas ruínas foram encontradas telhas e objectos cerâmicos que, embora ainda não estejam datados na totalidade, se pensa serem Romanos.

Arrasado ou Risado

Arrasado ou Risado

2.4 – Castelo

No extremo do território, actualmente designado por Arcozelo, devem ter existido entre a Idade do Ferro e a Invasão Romana, dois pequenos aglomerados em simultâneo, distando entre si cerca de 3 km. O “Arrasado” deveria ser um aglomerado maior e quando das invasões terá sido romanizado, adquirindo alguns dos costumes e técnicas, como comprovam a grande quantidade de elementos cerâmicos e de restos de telha aí encontrados. Até à invasão dos Vândalos, dos Suevos, dos Visigodos, altura que possivelmente foi destruído, “arrasado”. Após este aglomerado ter sido destruído, a população resistente ou sobrevivente, ter-se-á refugiado num sítio defensivo, a Nordeste, distando cerca de 1 km, actualmente conhecido por “Castelo”.

O “Castelo” é um local alto e de difícil acesso, o que se fica a dever ao relevo e ao facto de ser circunscrito por uma ribeira de difícil transposição. No topo deste monte existem ruínas de uma robusta muralha, com mais de 1 metro de espessura. Dentro das muralhas, que seriam robustas mas rudimentares, deveria organizar-se um pequeno aglomerado de pessoas praticando uma economia de subsistência, que vivia da agricultura e da pastorícia.

Castelo

Castelo

2.5 – Lajes Ruivas

No limite da freguesia de Arcozelo, situa-se o monte Aljão ou Aljaz. Na sua parte oriental e numa das elevadas colunas, chamadas lajes ruivas, existem também vários documentos que atestam a existência nestes lugares de uma povoação antiga. A tradição nada nos diz sobre este remoto povoado, julgando apenas que eram lugares para fazerem vinho – as lagaretas. As Lagaretas, são em número de quatro estando apenas três preservadas. A cronologia para este tipo de vestígios poderá situar-se entre a época romana e o Século XVIII, não existindo estudos que os permitam datar com mais precisão.

Devido à concentração no mesmo espaço de várias estruturas leva-nos a pensar que as Lajes Ruivas se tratariam de uma “zona industrial”.

Lajes Ruivas

Lajes Ruivas

3 – PATRIMÓNIO EDIFICADO

Existem também em Arcozelo inscrições em algumas casas, monumentos antigos, casas e infra-estruturas com alguns anos, que de algum modo nos dão a conhecer ou nos permitem perceber a forma como este povo foi vivendo.

3.1 – Inscrições Judaicas

Vestígios em pelo menos duas casas na actual Rua do Rabaçal.

Inscrições Judaicas

Inscrições Judaicas

3.2 – Convento

No ano de 1539, Maria Borges, residente em Lisboa, fundou aqui um convento de freiras franciscanas dedicado a Nossa Senhora do Couto.

Convento de Freiras Franciscanas

Convento de Freiras Franciscanas

3.3 – Igreja Matriz

A Igreja Matriz data do séc. XVI e é de estilo Gótico, com altares de estilo Renascença. Esta foi sucessivamente ampliada e remodelada e actualmente guarda poucos vestígios da sua forma original. Á sua volta situou-se um cemitério até ao inicio do séc. XIX, e ao seu lado um convento, do qual apenas restam muros exteriores.

Igreja Matriz

Igreja Matriz

3.4 – Capela de Santo António

Situada no largo do “Outão” está a Capela de Santo António que data do séc XVIII. Encontra-se hoje totalmente transformada devido a uma derrocada que se deu há uns anos atrás. É em Junho que nesta Capela se celebra o Santo António, festa patrocinada pelos pastores da Aldeia que fazem uma romaria onde pedem ao Santo a fertilidade dos seus rebanhos.

Fotografia da Capela de Santo António reconstruida

Fotografia da Capela de Santo António reconstruída

3.5 – Capela de São Marcos

Situada no largo com o mesmo nome, a Capela de São Marcos data de 1771. Todos os anos no dia 25 de Abril (dia de S. Marcos, o advogado do gado) se celebra uma grande festa onde é de destacar a romaria e o concerto da Banda filarmónica da aldeia. Também reza a história que na Capela de São Marcos, era feita uma festa no seu dia, indo na procissão um touro bravo, que entrava na Capela e ia até ao altar-mor, assistir à festa muito quieto. Havia então uma feira.

Capela de São Marcos

Capela de São Marcos

3.6 – Capela do Senhor do Calvário

No extremo Noroeste da povoação encontra-se a Capela do Senhor do Calvário (também conhecida como Capelinha), datada de 1722. Outrora, foi realizada aqui a maior festa da povoação.

Capela do Senhor do Calvário

Capela do Senhor do Calvário

4 – PATRIMÓNIO LINGUÍSTICO

As palavras características e a forma própria de falar definem um pouco a maneira de ser das gentes. Um pouco como em todas os meios rurais, a oralidade encontra-se ainda num estado fóssil e seria impossível enxergar as pessoas se não conhecêssemos a maneira como elas falam!

4.1 – Algumas palavras peculiares;

Basto – muito junto

Agoniada – enjoada

Ralo – muito afastado

Atremoijada – pessoa inválida

Chibo – cabrito

Cantar do galo – 5 horas da manhã

Ralada – aflita, preocupada

Acatar – procurar

Corte – casa onde se têm os animais

Mangual – utensílio que malha para extrair o grão

Monda – tirar erva das cultivações

Achaque – doença

Taleiga – saca onde se mete a farinha

Remelada – os olhos têm remela

Pilheira – lareira

Pisqueira – conjuntivite

Arreto – muro para sustentar a terra

Apregar – falar alto

Ceitora – foice

Alpendre – uma varanda

Corrocodoa – casca de pinheiro

Mocho – banco pequeno

Cramoico – monte de pedras

Minguar – diminuir

Desmantelado - pateta

Pita – galinha

Framengo – doente

Bacro – porco

Gronhos – qualidade da maça

Cantareira – armário de cozinha

Gravechote – oficial de diligências

Ceia – jantar

Mataloto – parvo

Almoço – pequeno-almoço

Talada – fresta

Lampião – candeia

Tim-tlim – depressa

Enxerga – colchão de palha

Tringalho – brincadeira

Escrevinhar – escrever

Ugar – fazer um molho

Enxadão – machado

Doutrina – bíblia

Toque das Avé Marias – 6 horas da tarde

5 - ACTIVIDADES ECONÓMICAS

Actualmente com 858 (1) habitantes, Arcozelo da Serra é desde há muito uma das mais prósperas aldeias do Concelho. Situada no sopé da vertente setentrional da Serra da Estrela, a povoação estende-se ao longo de um vale por onde correm algumas linhas de água, a ribeira de Gouveia (uma das ribeiras afluentes do Rio Mondego) e a Ribeira do Boco (afluente da ribeira de Gouveia). A terra fértil é uma das suas maiores riquezas, aliada a um microclima húmido e com temperaturas amenas, permite a prática de uma agricultura intensiva e variada durante todo o ano e também a existência de pastos verdejantes propícios à criação de gado ovino e caprino. Predomina nesta aldeia como principal sector de actividade o primário.

“Quando estas linhas se escrevem (fins de Abril), já os nossos campos estão atapetados de flores, as mimosas enchem os longes de uma poalha de oiro luzente, os rubis dos pessegueiros pontilham a paisagem e, nos ribeiros e valados, as águas vão correndo sobre tapetes de miosótis.

As levandiscas, sociáveis e airosas, acompanham rego a rego a boiada mansa ao virar da leiva fumegante. E, ao cair da noite, com o tilintar da “loiça” dos rebanhos, continua-se a música singela dos sapos, dos grilos e dos ralos.

Já os pastores dormem ao relento, protegidos, às vezes, por um simples biombo de palha, tendo ao lado o cão amigo e, no redil, as ovelhas mansas e atentas.

O pegueiro, embora já sem o vigor da indumentária antiga, mantém o seu tipo diferenciado. Enquanto não é vencido pelo sono, lê as horas no relógio do céu, cujos ponteiros são o Sete-Estrelo e a Estrela de Alva. Afagou sempre o sortilégio da Astronomia, viajando boquiaberto no rasto das estrelas cadentes.” (2)

A agricultura é a principal actividade económica da minha Terra, praticada na sua maioria por “gentes mais idosas” a produção é ainda feita de acordo com os processos tradicionais. Grande parte da população dedica-se à germinação de produtos hortícolas de raiz que posteriormente vão abastecer alguns dos principais mercados da Beira Alta. É já um ritual praticado há centenas de anos, todos os dias de manhã, ainda o sol não raiou, e já as “greleiras” estão a pé com os seus pesados carregos de couves e cebolo à espera do transporte que as leva até ao mercado. Noutros tempos eram transportadas por veículos de tracção animal ou iam a pé e carregavam a mercadoria na cabeça através de caminhos e trilhos.

A pastorícia é também uma das actividades económicas praticadas neste meio rural. Com características ancestrais também ela tem resistido ao longo dos tempos. Existem actualmente à volta de uma dezena de proprietários de gado quando segundo os anciãos da aldeia o número de pastores ascendia aos 100 há três quartos de século atrás. O leite, a pele, a lã e a carne, são as matérias-primas exploradas que depois de transformadas dão origem a produtos tão típicos e característicos da Serra da Estrela tais como o queijo, os curtumes, os lanifícios ou a afamada cozinha típica serrana.

O fabrico artesanal de calçado, outra actividade económica, é uma tradição centenária que se extinguiu não há muitos anos atrás. Actualmente já não há ninguém que se dedique à confecção da bota artesanal de Arcozelo da Serra mas na década de 1940-50 (coincidindo com a Segunda Guerra Mundial) existiam cerca de 80 oficinas, onde laboravam geralmente 1 mestre, 2 oficiais de sapateiro e 1 aprendiz, a produção média por oficial era de um par de calçado por dia durante o Inverno e um par e meio durante o Verão. A bota artesanal era robusta e resistente, apropriada para o trabalho no campo. Era comercializada por toda a zona da raia, região centro interior e litoral.

Todas estas actividades, nunca sendo desprezada a finalidade económica, tinham uma forte componente lúdica. Jogos e canções eram conjugados com o laboro. Retratavam as vivências do povo, os seus anseios e medos, ajudavam a esquecer a dureza do trabalho e davam-lhe uma alegria que ainda hoje caracteriza o povo de Arcozelo.

Bem cedo começa o dia

Um dia inteiro a trabalhar

O trabalho é alegria

Que nós levamos a cantar (3)


1 – Fonte: INE, censos 2001 – resultados definitivos.

2 – Abílio Mendes do Amaral, “Os Pastores da Serra da Estrela”, separata da revista “Beira Alta”, Viseu – 1970.

3 – Extracto de uma canção popular.

6 – FESTIVIDADES

As canções retratam também um povo católico, temente a Deus e aos seus santos padroeiros. Gente de fé, o povo de Arcozelo conserva ainda hoje grande parte das suas tradicionais festividades religiosas. Algumas perderam o fulgor de outros tempos enquanto que outras se mantêm bem vivas e são mesmo um cartão de visita para a aldeia.

As festas em honra de S. João e S. Pedro são exemplo disso. Realizadas a 24 e a 29 de Junho respectivamente, são conhecidas pela enorme rivalidade entre os bairristas devotos a cada um dos santos. Todos os anos as respectivas comissões de festas tentam superar a organização dos festejos rivais. Importantes nomes da música portuguesa, artistas como Amália Rodrigues, Carlos Paião, Paco Bandeira, e outros, já fizeram parte dos cartazes, e nunca um artista que tenha actuado numa destas festas poderá regressar para actuar nas festividades rivais. Existem histórias de grandes zangas entre os bairristas e até de casais que durante o período em que decorriam as festividades deixavam de se relacionar, isto por cada um deles ser devoto a um santo diferente.

Aqui são apresentadas as principais festividades tradicionais de Arcozelo da Serra:

6.1 – Festa do menino Jesus:

Festa realizada por duas raparigas solteiras, as chamadas “Mordomas do Menino”.

A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão, acompanhadas pela banda filarmónica da terra. No fim dos festejos religiosos as mordomas oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

Esta festa é realizada duas vezes por ano, a primeira dia 1 de Janeiro e a segunda no dia 25 de Dezembro, quando são então nomeadas as mordomas para o ano seguinte.

6.2 – Festa em honra do Mártir São Sebastião (“Festa do Mártir”):

Realizada na segunda semana de Janeiro por dois homens casados nomeados no dia a seguir ao Natal.

A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão, acompanhadas pela banda filarmónica da terra. No fim dos festejos religiosos os mordomos oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

6.3 – Festa em honra de S. José:

Realizada em Março (o dia do mês varia de ano para ano) pelos José[s] da freguesia, a festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão pelas ruas da aldeia carregando um andor com a imagem do santo. No final há um almoço para todos os homens com o nome José.

6.4 – Quaresma:

Durante a Quaresma todas as diversões profanas estão suspensas: é a época do confesso. Apenas se ouvem cânticos religiosos como por exemplo “O emento das almas”.

6.5 – Domingo de Ramos:

No domingo de Ramos os rapazes cortam ramos de loureiro, amarram-nos a grandes paus e enfeitam-nos com alecrim, flores, cascas de ovo, doces, etc.. As raparigas fazem um arranjo de ramos de loureiro a que dão o nome de vassouro, distinguem-se dos primeiros por não serem amarrados a paus e por não levarem nenhum enfeite.

Antes de entrarem na igreja a fim de o louro ser benzido, os rapazes batem com os ramos uns nos outros com o objectivo de os partirem ou desenfeitarem.

6.6 – Quinta-feira Santa:

Na quinta-feira Santa há uma procissão da Igreja Matriz à capela de St. António e de volta à Igreja, em que o rapazio se destaca pelo barulho que faz com as suas matracas – matráculas e maçaricos.

6.7 – Sábado de Aleluia:

Desde as dez horas da manhã, os sapateiros batem nas tábuas de talhar ao mesmo tempo que um se encarrega de ir tocar a sineta da capela de St. António e o sino da Igreja.

6.8 – Páscoa:

Na Páscoa realiza-se a visita pascal a todas as casas da povoação, beija-se a cruz e oferecem-se géneros alimentares e dinheiro.

6.9 – Festa em honra de S. Marcos:

Realiza-se no dia 25 de Abril. Por volta do meio faz-se uma procissão da Igreja Matriz até à capela de S. Marcos.

Durante a tarde a banda filarmónica da terra faz um concerto no coreto sito junto da capela.

De há uns anos a esta parte, tem-se feito uma romaria a cavalo em volta da capela. Pedem os cavaleiros a protecção do santo.

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6.10 – Festa em honra da padroeira Nossa Senhora da Assunção

Festa celebrada em Maio. É realizada pelos rapazes que nesse ano prestaram serviço militar. A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão onde saem os andores com todas as imagens dos Santos existentes na igreja e nas capelas.

No final os mancebos oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

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6.11 – Festa em honra de S. António:

A festa é realizada pelos pastores da aldeia durante o mês de Junho. Começa na noite de sábado com o povo a assistir a um concerto efectuado pela banda da terra. Na manhã seguinte, os pastores realizam a tradicional romaria, com as suas ovelhas pintadas e enfeitadas, à volta da capela de S. António. Pedem ao santo protecção para os seus rebanhos. Os festejos seguem com uma missa e uma procissão. Durante a tarde há ainda o leilão de fogaças e mais uma actuação por parte da banda filarmónica.

6.12 – Festas de S. João e de S. Pedro:

São festejos centenários, existindo desde sempre uma grande rivalidade entre os bairristas das duas partes, ou melhor dizendo, entre o cimo da povoação (“feira” – bairristas de S. Pedro) e fundo da povoação (“povo” – bairristas de S. João).

Realizam-se no mês de Junho e têm a duração de três a quatro dias. Consistem na arrematação de fogaças (oferecidas pelos bairrista), na actuação de vários artistas pela noite dentro, e num espectáculo de pirotecnia.

6.13 – Festa em honra de S. Joaquim:

Realizada em Julho (o dia do mês varia de ano para ano) pelos Joaquim[s] da freguesia, a festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão pelas ruas da aldeia carregando um andor com a imagem do santo. No final há um almoço para todos os homens com o nome Joaquim.

6.14 – S. Martinho:

Esta é uma festa pagã que se realiza a 11 de Novembro. Na noite anterior, um grupo de homens combinados constroem um espantalho que personifica S. Martinho (boneco feito de madeira, revestido de palha, vestido com roupa de homem, uma cara bastante corada, dentes estragados, chapéu na cabeça e sempre na companhia de um garrafão de vinho) e colocam-no numa esquina da rua principal. Fazem também coroas de flores que, na calada da noite, vão ser colocadas nas portas dos homens e mulheres mais “amigos do vinho”.

Na noite de dia onze faz-se então o funeral e o enterro de S. Martinho. Presenciam o funeral um sacerdote (homem vestido com uma colcha a imitar um padre), um outro elemento que leva um chocalho, os Martinhos (viúva e familiares), e outros elementos que se vão juntado à medida que o cortejo passa. Vão todos vestidos de preto, mais ou menos ébrios (ou a imitar a embriaguez) e a chorar o morto. Durante o trajecto fazem algumas paragens, normalmente às portas das adegas mais bem guarnecidas, para os irmãos rezarem o “credo”, ouvirem os seus preceitos e “afogarem as mágoas”. O desfile vai directo ao cemitério (olival fora da povoação) onde o defunto é então queimado.

No fim do funeral segue-se o convívio onde não faltam as castanhas e muita jeropiga.

As festividades são também muitas vezes aproveitadas pelas colectividades desta terra para realizarem algumas receitas que por sua vez são utilizadas para recordar e manter viva esta cultura e estas tradições.

7 – Brasão;

Escudo de negro, estrela de prata; em chefe, trança de cebolinhas de ouro, realçada de verde, posta em faixa; campanha diminuta ondada de prata e azul de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «ARCOZELO – GOUVEIA».

Brasão

Brasão

7.1 – Descrição dos elementos do Brasão; (fonte: www.arcozelodaserra.com)

Cebolinhas de ouro

Cebolinhas de ouro

Trança de cebolinhas:
representa as actividades económicas, com maior destaque para a agricultura.

Estrela

Estrela

Estrela:
Representa o orago da freguesia: Nossa Senhora da Assunção, assim como a localização da freguesia, muito próxima da Serra da Estrela.

Burelas ondadas

Burelas ondadas

Burelas Ondadas:
Representam o ribeiro, junto ao qual assenta a povoação.

7.2 – Bandeira;

Branca. Cordão e borlas de prata e negro. Haste e lança de ouro.

Bandeira

Bandeira

7.3 – Selo

Nos termos da Lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Arcozelo – Gouveia».

Selo

Selo

Respostas

  1. Há um trabalho em curso sobre a existência de pedras de diversas formas e feitios com escavações etc . Para ler estudar e meditar nessas teorias recomendo a leitura do Pais das pedras de Célio Rolinho Pires à venda na Guarda na livraria central. Muito interessante.

  2. Dou pouco que conheci, mas recordo ainda, efectivamente existia por parte dos mais idosos, no meu tempo de criança. O bem fazer aos mais necessitados que por essa terra passavam, desde abrigo a comer e algum carinho, estamos a falar dos anos 50. Acho no entanto, um pouco estranho que não existam registos de maior pormenor, pois estórias se contavam de cavaleiros dessa terra e posteriormente militares de patente “um tio de meu avô por ex: falavam-se de sêr capitão e concluí posteriormente sêr Alferes”. Gostava no entanto de poder aliar um pouco a hipotese de sabêr algo sobre as pessoas que criaram e desenvolveram essa terra.
    Isto porque descobri á relativamente pouco tempo que tenho uma família demasiado grande.
    No entanto, nada sei dos meus ancestrais.

  3. Vou pesquisar sobre a família “Roliz” e tentar, quem sabe, descobrir alguma coisa sobre o seu passado nesta terra.
    Saúde para todos

  4. Desde já grato pelo apoio e dou uma pequena dica o meu trisavô, chamava-se Joaquim Gonçalves Roliz e terá nascido por volta de 1820.
    Saúde e votos de uma longo e feliz continuidade.

  5. Ao autor deste sítio os meus parabéns. Houve um trabalho interessante de sistematização da informação que é agradável para os arcozelenses que estãoo mais longe. Deixo apenas uma sugestão o de juntar ao património natural e construído o grande património da terra as pessoas.
    Abraço

  6. Excelente e ilucidativo trabalho que bem se pode considerar uma monografia sobre o Arcozelo.
    Parabéns ao autor.


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