Festividades

6 – FESTIVIDADES

As canções retratam também um povo católico, temente a Deus e aos seus santos padroeiros. Gente de fé, o povo de Arcozelo conserva ainda hoje grande parte das suas tradicionais festividades religiosas. Algumas perderam o fulgor de outros tempos enquanto que outras se mantêm bem vivas e são mesmo um cartão de visita para a aldeia.

As festas em honra de S. João e S. Pedro são exemplo disso. Realizadas a 24 e a 29 de Junho respectivamente, são conhecidas pela enorme rivalidade entre os bairristas devotos a cada um dos santos. Todos os anos as respectivas comissões de festas tentam superar a organização dos festejos rivais. Importantes nomes da música portuguesa, artistas como Amália Rodrigues, Carlos Paião, Paco Bandeira, e outros, já fizeram parte dos cartazes, e nunca um artista que tenha actuado numa destas festas poderá regressar para actuar nas festividades rivais. Existem histórias de grandes zangas entre os bairristas e até de casais que durante o período em que decorriam as festividades deixavam de se relacionar, isto por cada um deles ser devoto a um santo diferente.

Aqui são apresentadas as principais festividades tradicionais de Arcozelo da Serra:

6.1 – Festa do menino Jesus:

Festa realizada por duas raparigas solteiras, as chamadas “Mordomas do Menino”.

A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão, acompanhadas pela banda filarmónica da terra. No fim dos festejos religiosos as mordomas oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

Esta festa é realizada duas vezes por ano, a primeira dia 1 de Janeiro e a segunda no dia 25 de Dezembro, quando são então nomeadas as mordomas para o ano seguinte.

6.2 – Festa em honra do Mártir São Sebastião (“Festa do Mártir”):

Realizada na segunda semana de Janeiro por dois homens casados nomeados no dia a seguir ao Natal.

A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão, acompanhadas pela banda filarmónica da terra. No fim dos festejos religiosos os mordomos oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

6.3 – Festa em honra de S. José:

Realizada em Março (o dia do mês varia de ano para ano) pelos José[s] da freguesia, a festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão pelas ruas da aldeia carregando um andor com a imagem do santo. No final há um almoço para todos os homens com o nome José.

6.4 – Quaresma:

Durante a Quaresma todas as diversões profanas estão suspensas: é a época do confesso. Apenas se ouvem cânticos religiosos como por exemplo “O emento das almas”.

6.5 – Domingo de Ramos:

No domingo de Ramos os rapazes cortam ramos de loureiro, amarram-nos a grandes paus e enfeitam-nos com alecrim, flores, cascas de ovo, doces, etc.. As raparigas fazem um arranjo de ramos de loureiro a que dão o nome de vassouro, distinguem-se dos primeiros por não serem amarrados a paus e por não levarem nenhum enfeite.

Antes de entrarem na igreja a fim de o louro ser benzido, os rapazes batem com os ramos uns nos outros com o objectivo de os partirem ou desenfeitarem.

6.6 – Quinta-feira Santa:

Na quinta-feira Santa há uma procissão da Igreja Matriz à capela de St. António e de volta à Igreja, em que o rapazio se destaca pelo barulho que faz com as suas matracas – matráculas e maçaricos.

6.7 – Sábado de Aleluia:

Desde as dez horas da manhã, os sapateiros batem nas tábuas de talhar ao mesmo tempo que um se encarrega de ir tocar a sineta da capela de St. António e o sino da Igreja.

6.8 – Páscoa:

Na Páscoa realiza-se a visita pascal a todas as casas da povoação, beija-se a cruz e oferecem-se géneros alimentares e dinheiro.

6.9 – Festa em honra de S. Marcos:

Realiza-se no dia 25 de Abril. Por volta do meio faz-se uma procissão da Igreja Matriz até à capela de S. Marcos.

Durante a tarde a banda filarmónica da terra faz um concerto no coreto sito junto da capela.

De há uns anos a esta parte, tem-se feito uma romaria a cavalo em volta da capela. Pedem os cavaleiros a protecção do santo.

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6.10 – Festa em honra da padroeira Nossa Senhora da Assunção:

Festa celebrada em Maio. É realizada pelos rapazes que nesse ano prestaram serviço militar. A festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão onde saem os andores com todas as imagens dos Santos existentes na igreja e nas capelas.

No final os mancebos oferecem o almoço aos familiares, amigos e elementos da banda.

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6.11 – Festa em honra de S. António:

A festa é realizada pelos pastores da aldeia durante o mês de Junho. Começa na noite de sábado com o povo a assistir a um concerto efectuado pela banda da terra. Na manhã seguinte, os pastores realizam a tradicional romaria, com as suas ovelhas pintadas e enfeitadas, à volta da capela de S. António. Pedem ao santo protecção para os seus rebanhos. Os festejos seguem com uma missa e uma procissão. Durante a tarde há ainda o leilão de fogaças e mais uma actuação por parte da banda filarmónica.

6.12 – Festas de S. João e de S. Pedro:

São festejos centenários, existindo desde sempre uma grande rivalidade entre os bairristas das duas partes, ou melhor dizendo, entre o cimo da povoação (“feira” – bairristas de S. Pedro) e fundo da povoação (“povo” – bairristas de S. João).

Realizam-se no mês de Junho e têm a duração de três a quatro dias. Consistem na arrematação de fogaças (oferecidas pelos bairrista), na actuação de vários artistas pela noite dentro, e num espectáculo de pirotecnia.

6.13 – Festa em honra de S. Joaquim:

Realizada em Julho (o dia do mês varia de ano para ano) pelos Joaquim[s] da freguesia, a festa consiste na realização de uma missa e de uma procissão pelas ruas da aldeia carregando um andor com a imagem do santo. No final há um almoço para todos os homens com o nome Joaquim.

6.14 – S. Martinho:

Esta é uma festa pagã que se realiza a 11 de Novembro. Na noite anterior, um grupo de homens combinados constroem um espantalho que personifica S. Martinho (boneco feito de madeira, revestido de palha, vestido com roupa de homem, uma cara bastante corada, dentes estragados, chapéu na cabeça e sempre na companhia de um garrafão de vinho) e colocam-no numa esquina da rua principal. Fazem também coroas de flores que, na calada da noite, vão ser colocadas nas portas dos homens e mulheres mais “amigos do vinho”.

Na noite de dia onze faz-se então o funeral e o enterro de S. Martinho. Presenciam o funeral um sacerdote (homem vestido com uma colcha a imitar um padre), um outro elemento que leva um chocalho, os Martinhos (viúva e familiares), e outros elementos que se vão juntado à medida que o cortejo passa. Vão todos vestidos de preto, mais ou menos ébrios (ou a imitar a embriaguez) e a chorar o morto. Durante o trajecto fazem algumas paragens, normalmente às portas das adegas mais bem guarnecidas, para os irmãos rezarem o “credo”, ouvirem os seus preceitos e “afogarem as mágoas”. O desfile vai directo ao cemitério (olival fora da povoação) onde o defunto é então queimado.

No fim do funeral segue-se o convívio onde não faltam as castanhas e muita jeropiga.

As festividades são também muitas vezes aproveitadas pelas colectividades desta terra para realizarem algumas receitas que por sua vez são utilizadas para recordar e manter viva esta cultura e estas tradições.

Respostas

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