2 – PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO
Existem em Arcozelo da Serra alguns achados arqueológicos que nos podem dar uma ideia da origem da povoação.
2.1 – “Cavalo Pintado”
A presença do homem na Beira Interior remonta a vários milénios atrás, como comprovam vários vestígios arquitectónicos e arqueológicos que se encontram disseminados por toda a região, incluindo o Arcozelo.
No limite do território, actualmente denominado de Arcozelo da Serra, encontra-se o “Penedo do Cavalo Pintado”, no cimo do qual se pode observar a escultura conhecida pelo nome do “Cavalo Pintado”. Esta figura representa um quadrúpede, possivelmente um cervídeo, cujas dimensões máximas são de 1.25 metros de comprimento e 0.81 metros de largura.

Inscultura do Penedo do Cavalo Pintado
2.2 – Penedos Mouros
Situados a montante de Arcozelo da Serra, os “Penedos dos Mouros” constituem um local de interesse arqueológico. Muito foi especulado pela população, que pretendia dar uma explicação lógica a aquele aglomerado de penedos, criando assim um mito de que estes teriam sido povoados pelos mouros.
Uma equipa de arqueologia, após feito um estudo identificou os “Penedos Mouros” como sendo um santuário datado, provavelmente, da idade do ferro, época anterior ao domínio Romano que se iniciou há cerca de 2200 anos no território Peninsular. Conclui-se então que se trata de um santuário dedicado a uma ou mais divindades pré-romanas, não identificadas.

Penedos Mouros
2.3 – Arrasado ou Risado
De um período idêntico ao do “Penedo dos Mouros”, existem também vestígios numa zona perto do “Penedo do Cavalo Pintado”, actualmente designado como “Risado“, mas também conhecida como “Arrasado” de onde se pensa ter saído a actual designação. Neste local existem algumas sepulturas idênticas à do “Penedo dos Mouros”, mas menos perfeitas (a que não deve ser alheio a diferente composição do granito) e com a particularidade de terem uma laje a fazer de tampa. Juntamente com estas ruínas foram encontradas telhas e objectos cerâmicos que, embora ainda não estejam datados na totalidade, se pensa serem Romanos.

Arrasado ou Risado
2.4 – Castelo
No extremo do território, actualmente designado por Arcozelo, devem ter existido entre a Idade do Ferro e a Invasão Romana, dois pequenos aglomerados em simultâneo, distando entre si cerca de 3 km. O “Arrasado” deveria ser um aglomerado maior e quando das invasões terá sido romanizado, adquirindo alguns dos costumes e técnicas, como comprovam a grande quantidade de elementos cerâmicos e de restos de telha aí encontrados. Até à invasão dos Vândalos, dos Suevos, dos Visigodos, altura que possivelmente foi destruído, “arrasado”. Após este aglomerado ter sido destruído, a população resistente ou sobrevivente, ter-se-á refugiado num sítio defensivo, a Nordeste, distando cerca de 1 km, actualmente conhecido por “Castelo”.
O “Castelo” é um local alto e de difícil acesso, o que se fica a dever ao relevo e ao facto de ser circunscrito por uma ribeira de difícil transposição. No topo deste monte existem ruínas de uma robusta muralha, com mais de 1 metro de espessura. Dentro das muralhas, que seriam robustas mas rudimentares, deveria organizar-se um pequeno aglomerado de pessoas praticando uma economia de subsistência, que vivia da agricultura e da pastorícia.

Castelo
2.5 – Lajes Ruivas
No limite da freguesia de Arcozelo, situa-se o monte Aljão ou Aljaz. Na sua parte oriental e numa das elevadas colunas, chamadas lajes ruivas, existem também vários documentos que atestam a existência nestes lugares de uma povoação antiga. A tradição nada nos diz sobre este remoto povoado, julgando apenas que eram lugares para fazerem vinho – as lagaretas. As Lagaretas, são em número de quatro estando apenas três preservadas. A cronologia para este tipo de vestígios poderá situar-se entre a época romana e o Século XVIII, não existindo estudos que os permitam datar com mais precisão.
Devido à concentração no mesmo espaço de várias estruturas leva-nos a pensar que as Lajes Ruivas se tratariam de uma “zona industrial”.

Lajes Ruivas




